Historial

ORIGENS

Na Madeira, a prática do futebol terá começado por volta de 1875, por obra e vontade do jovem Harry Hinton. Aos 18 anos, regressa de Inglaterra, onde estudava, trazendo consigo uma bola de futebol. A primeira de que há memória no país.
Com ela se fizeram os primeiros jogos de futebol em Portugal, no Largo da Achada, na Camacha. mesmo ao lado da Quinta da Achadinha, um dos locais de férias da família Hinton.


O primitivo
campo no Largo
da Achada, na
Camacha, onde
se jogou futebol
em Portugal pela
primeira vez.
 

As sementes desses primitivos encontros de futebol cedo deram frutos. O jogo ganhou um número sempre crescente de adeptos, sobretudo quando passou a ser jogado à beira-mar, pelas tripulações dos barcos que passavam pelo Funchal ou pelas equipas dos estrangeiros residentes.
No entanto, os Madeirenses ficavam de fora. Por isso, cada um dos primitivos jogos das equipas dos marítimos será como que uma batalha simbólica desse povo à procura da sua afirmação. Dizse que os cumprimentos das boas vindas, os tons respeitosos do comércio e a manha da pedincha, transformavam-se em ondas de um jogo indomável, que surpreendia os adversários e orgulhava os apaniguados.
Cada vitória constituirá a subida de mais um degrau na popularidade crescente. As equipas dos marítimos ganharão fama. E uma identidade própria, uma marca de distinção em relação às demais – jogarão sempre para ganhar, custe o que custar. Em nome da Madeira. E do seu Povo.
Os sectores mais abastados da população local, que também alimentavam o ideal de dispor de uma equipa que os integrasse no jogo, tinham já encontrado uma organização própria, distinta da dos ingleses – o Club Sports Madeira, fundado pouco tempo antes do Marítimo.
A fundação deste clube em data anterior à do Marítimo corresponde mais a uma superior capacidade organizadora dos elementos que lhe vão dar origem, que propriamente a uma adesão ao futebol anterior à classe dos marítimos.
E os primeiros tempos do Futebol organizado na Madeira vai fazer-se, em muito, à volta dos jogos entre estes dois Clubes – um Marítimo, dos bomboteiros, popular, republicano e um Madeira, das classes abastadas, nobre, monárquico ... 
Com o decorrer dos tempos, os marítimos passaram de meros assistentes a jogadores. Se o campo D. Carlos não estava ocupado, organizavam jogos entre si, para matar o tempo.
Era tudo fácil e simples – bastava sairem das casas que habitavam ali mesmo nas redondezas e desaguarem no campo. Começavam os primeiros pontapés na bola verdadeiramente madeirenses.

Cândido Fernandes Gouveia, o ‘Candinho’, será o principal dinamizador da fundação do clube dos marítimos. Fruto da sua actividade, sofre forte influência dos contactos com as tripulações dos barcos que passam pelo nosso porto. Cultiva boas relações comos seus membros. Uma das tripulações com que Cândido Gouveia tem um relacionamento especial é precisamente a do Rhouma. E a ela terá indicado o campo de D. Carlos como a resposta ideal para a solicitação que lhe é feita – um espaço amplo e plano, para o tal ‘divertimento’. Que mais não era que o jogo do futebol. Mais tarde, Cândido Gouveia começou a desafiar a equipa da tripulação do iate Rhouma, para que disputasse encontros com grupos de futebol constituídos, sob a sua direcção, por madeirenses. Essas organizações vão ficar conhecidas, durante largos anos, como as ‘brincadeiras do Candinho’, designação que nos dá a ideia da forma como esses encontros futebolísticos eram encarados.